Marketing
Na contramão digital
mar 18th
A Rede Globo não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade. Recentemente a central de comercialização da emissora encaminhou ao mercado publicitário a proibição da inserção do nome das redes sociais nos comerciais veiculados, sob risco de cobrança de multiplicidade. Em seu blog eutedisse.blog.br, onde eu li sobre esse assunto, Frank Ramalho cita o exemplo dos comerciais do Banco Santander.
“…se em seu anúncio for colocado a marca ou o endereço twitter.com/santander ou facebook/Santander, isso será cobrado como multiplicidade.”
Eu bem que notei que, mesmo durante as transmissões jornalísticas ou programas esportivos, como o Jornal da EPTV e Globo Esporte, os profissionais ficam constrangidos em citar o Twitter, Facebook ou outras redes, se referindo a elas de maneira genérica. Achei que era cisma minha, mas evidentemente não é.
Agora ficam as perguntas: Em que o aparecimento do nome ou logo das redes sociais influencia a renda da emissora? Será que ninguém no departamento comercial percebeu que o futuro está estampado no facebook e é escrito em 140 caracteres?
Frank Ramalho cita ainda em seu blog o Superbowl, a grande final do futebol americano, que tirou de letra essa questão, fazendo com que a comunicação que tinha início nos comerciais da TV tivesse continuação nas mídias sociais.
O porquê a Globo ainda se assusta com isso é uma incógnita, pelo menos para mim.
Some-se a isso a programação decadente da emissora, a sede de audiência da Rede Record (que como se não bastasse é movida a dízimo) e a compreensão cada vez maior dos meios digitais pela grande massa, teremos então um panorama nada favorável para a Globo.
Mais uma vez um desserviço ao marketing é prestado pela emissora. Como já mencionado nesse post.
É meu amigo, haaaaaaaaaja coração!
Crescer Vs. Aparecer
jan 28th
Existe uma máxima na comunicação que diz que quem não é visto não é lembrado. Tendo essa afirmação como base, 98,86% (segundo a Dataneto) das empresas preferem ser vistas a qualquer custo, mesmo que a gente não queira. Para isso, fazem o diabo: Aumentam o logo, poluem a cidade e o ciberespaço, invadem programas de tv, transformam revistas de circulação nacional em catálogos da marca e, não satisfeitas, emporcalham as camisas dos times de futebol (principalmente no Brasil).
Na minha humilde opinião, camisa de time de futebol é que nem a mãe da gente. Merece respeito. Ninguém pensaria em transformar a mãe num jornal de bairro, loteando espaços no corpo dela. Sendo assim, por que insistem em disfarçar as camisas dos times num mosaico de mau gosto?
“Porque senão não tem grana pra montar um elenco decente”, responderiam alguns.
Pois bem, para acabar de vez com essa piada pronta, segue um case de tirar o logo feito pelos nossos hermanitos argentinos.
A nova camisa do Racing, time da primeira divisão do futebol argentino sediado em Avellaneda, apresenta um detalhe sustentado por poucos clubes no mundo, mas que faz toda a diferença para quem realmente ama o seu time. O clube negociou a cota de patrocínio principal com o Banco Hipotecario Nacional, uma instituição que quer se estabelecer como uma entidade de serviços gerais e que, por isso, precisa se aproximar do target. Até aí nada de novo, mas o detalhe (que faz toda a diferença) é que o banco optou por NÃO COLOCAR A SUA MARCA NA CAMISA!!!
Isso mesmo, o banco vai pagar o patrocínio, mas não exibe o logo no uniforme!
Todo o esforço de marketing do banco será fixado no conceito de “Nós devolvemos a camisa à torcida”. Esse é o slogan a ser utilizado nas ações relacionadas ao Racing.
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O Racing e o seu patrocinador Banco Hipotecario Nacional (que faço questão de citar novamente), servem como exemplo. Provam por A+B que outros caminhos são possíveis. Ao abrir mão da exposição da marca, o banco mostra respeito ao torcedor ressaltando o seu orgulho (Eu se fosse torcedor do Racing já teria aberto a minha conta nesse banco).
Nem na Europa, onde as camisas dos grandes clubes são sagradas (e existem muitas outras formas de remuneração), esse fato é comum. Por isso a ação de marketing do Racing/Hipotecario foi tão amplamente divulgada nos quatro cantos do planeta (coisa que Batavo nenhuma vai conseguir).
A publicidade brasileira anda tomando cacetes homéricos da publicidade argentina quando o assunto é criatividade. Será que agora é a vez do marketing? Isso eu não sei, só sei que eu tenho um pedido a fazer. Não chores por mim Argentina. Deixe que eu mesmo faço isso.
