inglorius bastardsApós a publicação da lista dos indicados ao OSCAR 2010 notamos nela uma tendência ao resgate de bons roteiros. Na frente temos o todo poderoso Avatar e o seu mega-sucesso de bilheteria, com 9 indicações.  Seguido por 5 produções que têm como ponto forte, pelo menos, um bom roteiro. Será que Hollywood se cansou dos Blockbusters? Ou será que os grandes estúdios descobriram que sim, gente comum também pensa? Ou ainda: Será reflexo da crise do ano passado que fez com que um bom redator/roteirista (infinitamente mais barato), fosse mais viável que horas e horas de renders? Essa última opção, para mim, é a mais indicada.

Não acredito que Hollywood leve em conta a nossa inteligência, nem que eles tenham descoberto que menos é mais.

Pensem comigo: Grandes investimentos só viram lucro caso batam seus orçamentos milionários. Já se o investimento for intelectual o retorno é praticamente garantido, pois via de regra, intelecto, pura e simplesmente, não tem custo no cinema norte-americano. Roteiristas e redatores definitivamente não são os queridinhos de Hollywood. Ou não eram.

As garantias Hollywoodianas ainda continuam valendo. Atores rentáveis como Will Smith, diretores renomados como Steven Spielberg e produtores conhecidos como Jerry Bruckheimer contam muito, mas o que dizer de Jeff Bridges indicado ao Oscar de melhor ator, Kathryn Bigelow como melhor direção e Lawrence Bender que chefia a produção de Bastardos Inglórios e também foi indicado?

Não são nomes de peso, não por culpa deles que são excelentes, mas por culpa da máquina. Da estrutura que pasteuriza e escolhe o mais fácil, o mais colorido. O mais burro.

Agora o que o OSCAR 2010 sinaliza para a gente?

Sinaliza que, quer seja como estilo, opção ou viabilidade, o intelecto é VENDÁVEL. Sim, a inteligência, o cuidado, a sinceridade de ideias tem o seu valor por si só. Não importa que a descoberta tenha sido feita por necessidade. A originalidade intelectual é um bom produto e vende. Talvez tenha sido necessário uma crise mundial para mostrar aos estúdios que NÃO, não é absolutamente necessário que se façam filmes cheios de efeitos especiais e com QI de pé de alface e que NÃO, remakes não são a única saída (como tinha virado costume).

E se os estúdios, com toda a sua ganância, prepotência e arrogância aprenderam (mesmo que a contragosto) e estão aplicando essa lição, acho que cada um de nós poderia fazer o mesmo.avatar

Nós publicitários poderíamos vender tudo de maneira nova. As favas com a velha mala-direta e e-mail marketings, que às vezes existe só porque o cliente quer (ou nós é que queremos?). Vamos vender sim, mas intelectualmente. Com verdade. Com DNA. Responder às velhas fórmulas com novos roteiros.

Em família ou sentimentalmente, porque não surpreender? Por que não fazer, falar, construir uma vida diferente? Nova, inteligente, original. Criativa. E com um enredo só seu (e dela) (ou deles)?

Por que ser um John Woo presepeiro (leia-se com dinheiro e sem noção), se você pode ser um Tarantino, pegando tudo o que já existia antes e misturando, conseguir algo totalmente novo? Ou um dos irmãos Wachowski e criar todo um universo? Um Coppola e fazer da sua vida uma obra prima?

Antes que uma crise nos obrigue a adaptar as nossas vidas, exigindo de nós uma iluminação tardia sobre o que realmente importa, vamos criar um enredo que valha a pena ser assistido mesmo que por um pequeno e seleto público. A nossa vida tem que ter cor, efeitos e trilha sonora sim.

Mas a nossa atuação tem que ser sincera. E o nosso roteiro único.