Postagens com o marcador Nike
Nike | Write the future
mai 27th
Deve ser bom trabalhar com um cliente como a Nike. Se você disser: “Nike, no próximo comercial os seus jogadores vão bater uma bola na lua”, dalí 15 minutos ela te liga dizendo: “Ótimo, a lua tá disponível pra gente terça-feira”.
No seu último comercial, veiculado mundialmente durante a final da Champions League, a Nike decreta: Um instante. Uma jogada. Pode decidir a sua vida. Escreva o futuro.
Para isso ela coloca os monstros do futebol mundial acertando, errando e colhendo os frutos disso, tudo, claro, com muito bom humor. Como coadjuvantes, estão lá Roger Federer e Kobe Bryant, tá bom pra você?
O filme é rico em detalhes e é engraçado notar que em momento nenhum os logotipos da Umbro (patrocinadora da seleção inglesa e pertencente à própria Nike) ou da Puma (patrocinadora da Costa do Marfim), são censurados. Eles estão pra todo mundo ver. Só uma tal de Adidas é que teve a sua marca sacada da camisa da seleção francesa.
O Brasil, óbvio, está representado, tanto pelos dribles de Ronaldinho Gaucho, que nem sequer vai pra Copa, quanto por duas belas bundas se requebrando na arquibancada. Os ídolos caem, mas a bunda brazuca é eterna.
Criado pela britânica e fantástica Wieden + Kennedy, o comercial com 3 minutos de duração, é assinado pelo mexicano Alejandro Iñarritu, diretor de 21 Gramas e Babel. A trilha sonora dá o toque final, com a sensacional Hocus Pocus da banda holandesa Focus.
Como escreveu a própria W+K sobre o comercial: “O estado de espírito de uma nação. O declínio de uma promessa. Fama. Infâmia. O futuro dos maiores jogadores de futebol decididos de maneira épica…”.
Depois de ver esse filme fiquei pensando. A Adidas definitivamente deveria ceder o slogan “Impossible is nothing” pra Nike.
Nike | Mandingas – A nova camisa azul da seleção
fev 22nd
Sem brincadeira, alguma coisa de mágico deve haver na camisa da seleção Brasileira de futebol. Pode ser alguma conjunção astral no momento do nascimento da peita mais desejada do planeta. Pode ser a fé do nosso povo (e milhões de agregado-recalcados ao redor do mundo). Ou pode ser simplesmente aquele detalhe no lado direito do peito, chamado Swoosh. Símbolo poderoso, aqueles que o ostentam tem um algo a mais. Seu significado? Grana. Muita grana.
Mas a coisa toda não para por aí. O poder vai muito além. Em uma salada de ritmos e cores a Nike nos hipnotiza e faz até um torcedor descrente como eu vibrar novamente, se não com a seleção, com uma entidade chamada propaganda. Em seu mais novo hit, a Nike lança o vídeo “Mandingas”, onde tenta explicar exatamente a mística da camisa brazuca, através de seus atuais proprietários: Robinho, Luiz Fabiano, Maicon. Num vídeo feito pela F/Nazca e com a narração do rapper Thaíde, a Nike mais uma vez encanta. Dá até raiva. Mas arrepia. Saca só.
Ahhhhh, passa amanhã…
jan 29th
Do momento em que acordamos até a hora em que vamos dormir somos bombardeados por propagandas de todos os lados. Ao ligar a TV, o Rádio, ao abrir uma revista, ao levar o cachorro para passear, ao navegar na internet. Tem sempre alguém querendo nos vender alguma coisa. Nada contra, afinal, esse também é o meu ganha pão. O problema aparece quando o produto não interessa e o que é pior, quando o “vendedor” passa a ser chato. Artificial.
Acho que hoje a maior prova de chatice publicitária é o product placement tupiniquim (conhecido popularmente como merchandising). Foge a minha compreensão o porquê uma forma de exibição de marca/produto tão legal e habilmente usada por estadunidenses, europeus e até asiáticos, em nossas mãos, vira um momento de total vergonha alheia.
Nos filmes, seriados e clipes importados é comum ver marcas como Apple, Coca-Cola, Starbucks e seus produtos colocados escancaradamente na nossa frente. Eu só não me lembro de ter visto algum ator se referir a eles em cena. Por exemplo: Um casal deitado numa cama, conversando. Ele lendo um livro. Ela com um Macbook no colo. Eles estão falando sobre alguma coisa, mas ele não cita o livro e ela não diz nada sobre o Mac. Mas a maçã iluminada está lá apontada para a sua (minha) cara, e quer saber? Eu adoro! Queria ter um daqueles brinquedinhos! Queria ter uma mulher daquelas! Queria ter uma vida daquelas! E é isso. O product placement surtiu efeito. Não tentou me vender um produto da Apple, mas me vendeu “o sentimento de ter um produto da Apple”. Fiquei com vontade e confesso que de verdade estou louco pra comprar um Macbook. E isso acontece sempre: Queria passar numa Starbucks a caminho do trabalho para comprar café para mim e para os meus colegas da criação, queria ter uma Harley-Davidson para cruzar o país, queria um tênis da Nike para correr no Central Park.
Por falar em Nike, o @johnnytrainoti lembrou aqui de um PP no filme Forrest Gump. A namorada de Forrest lhe dá um par de tênis “especiais para corrida”. Mais tarde, quando perguntado por que ele corria o protagonista responde: “Eu apenas corro” ou traduzindo: JUST DO IT! Lindo isso!
Mas aí me vem a Rede Globo com o seu merchandising de novela: Mãe e filho na cozinha conversam. Ele em pé tomando água. Ela sentada em frente a um laptop navegando na internet. Ele diz: “Mãe, que tal se a gente fosse jantar juntos?” e ela responde “Calma filho, deixa eu fazer uma transferência no Itaú Bankline! É rápido, prático e seguro… pronto, terminei! Vamos jantar meu lindo”.
Ou ainda: Duas amigas conversam na sala. Uma terceira entra com a sacolinha da Natura (Detalhe, a casa é uma mansão e as mulheres certamente teriam dinheiro para usar produtos importados e bem mais caros, tornando a cena inverossímil), daí uma delas vira e diz: “Nossa são cremes?” (detalhe 2, como ela adivinhou?) e recebe como resposta: “Sim, são cremes! Acabei de pegar com a minha revendedora!”.
Pronto, a Rede Globo acabou de perder a oportunidade de ganhar um bom dinheiro apresentando uma bela geladeira inox da Bosch e um laptop Sony Vaio, no caso do primeiro exemplo e também de vender um Tag Heuer no pulso de uma delas e uma TV LG de 52” no segundo caso (aliás, por que a gente não vê aparelhos de tv nas salas das novelas?), tudo isso sem a necessidade de me deixar com ânsia de vômito.
E pra não dizer que não falei em flores (ou filmes), as produções nacionais também não primam pela sutileza, tendo em vista o grande número de fachadas de banco “aparecendo” durante as tomadas.
Como eu disse anteriormente, eu não entendo isso. Será que as TVs brasileiras acham que os telespectadores são tão burros que não perceberiam uma marca inserida no contexto da trama? E outra, o que é mais importante, me dizer que esse ou aquele produto/serviço quer fazer parte da minha vida ou me deixar com vontade de que ele o faça? Product placement brazuca me deixa com sentimento de vergonha alheia do ator, do canal de tv, do produto/serviço em questão e da marca.
Será tão difícil assim acertar na mosca? Não sei, só sei que agora eu vou tomar a minha Coca-Cola ultra gelada e comer as deliciosas bananinhas da Padaria Pão da Hora. Até +.
